.Unesco disponibiliza gratuitamente 92 filmes sobre a cultura indígena

Com o objetivo de valorizar a rica e milenar cultura indígena, a Unesco acaba de disponibilizar 92 produções audiovisuais que abordam a diversidade linguística e cultural dos índios da América Latina e Caribe. Disponibilizados pelo Festival de Cinema Indígena Online, o foco é a preservação da diversidade desta cultura, cada vez mais ameaçada e abafada.

saiba mais em: https://www.hypeness.com.br

Caravana Matchfunding BNDES no Rio

A ABGC foi convidada para colaborar na mobilização da CARAVANA NACIONAL do programa de financiamento de Matchfunding do BNDES, que já aconteceu em diversas capitais, e agora chega ao Rio.
Juntamente com a Benfeitoria e o Museu Vivo, estamos convidando a Rede ABGC, formada por alunos, ex-alunos, professores e colaboradores, para participarem deste dia de atividades no Museu de Arte do Rio, em torno de diálogos e debates sobre modelos alternativos de financiamento à cultura.
Na parte da manhã teremos palestras e à tarde o workshop para orientar os interessados que queiram se inscrever no edital.
OBS. Os alunos dos cursos regulares da UCAM/ABGC obterão uma presença para abater em uma falta em qualquer disciplina do seu curso.
As inscrições deverão ser feitas no link:    benfei.to/Caravana_MAR
Esperamos por você!

10 Projetos de arquitetos internacionais em solo brasileiro

10 Projetos de arquitetos internacionais em solo brasileiro, © © Gustavo Xavier

Durante a segunda metade do século XX, o Brasil recebeu uma série de arquitetos vindos de diversas partes do mundo, mas sobretudo da Europa, e que deixaram um legado de projetos brutalistas seguindo alguns dos cânones de mestres como Le Corbusier. Nomes como Lina Bo Bardi, Hans Broos e Franz Heep tiveram inegável influência na arquitetura brasileira.

Nos últimos anos o país voltou a receber uma diversidade de edifícios projetados por arquitetos estrangeiros e que transformaram-se em ícones arquitetônicos, indo além da simples função de abrigar determinado programa, mas em alguns dos casos, contribuindo para o ciclo turístico. Compilamos, a seguir, 10 edifícios projetados por arquitetos de renome internacional e implantados em solo nacional, confira!

Museu do Amanhã / Santiago Calatrava

Museu do Amanhã / Santiago Calatrava. Image © © Gustavo Xavier

Cobertura e Fachada esquemáticos. Image via Santiago Calatrava

Localização: Praça Mauá, 1 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20081-240, Brasil
Ano: 2016

Aqwa Corporate / Foster + Partners

Aqwa Corporate / Foster + Partners. Image © Unloop

Planta Térreo. Image via Foster+Partners
Corte. Image via Foster+Partners

Localização:Via Binário do Porto, 299 – Santo Cristo, Rio de Janeiro – RJ, Brasil
Ano: 2015

Museu da Imagem e do Som Copacabana / Diller Scofidio + Renfro

Em Construção: MIS Copacabana / Diller Scofidio + Renfro. Image © Marcelo Horn / GOVERJ

Localização:Avenida Atlântica, Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, Brasil
Ano: 2009 (Projeto)

VITRA / Studio Daniel Libeskind + Pablo Slemenson Arquitetura

VITRA / Daniel Libeskind. Image © Marcelo Scarpis

Planta Térreo. Image via Daniel Libeskind
Corte. Image via Daniel Libeskind

Localização:Avenida Horácio Lafer, 500 – Itaim Bibi, São Paulo – SP, 04538-082, Brasil
Ano: 2015

Japan House / Kengo Kuma + FGMF

Japan House / Kengo Kuma e FGMF. Image © FLAGRANTE

Localização: Av. Paulista, 52 – Bela Vista, São Paulo – SP, Brasil
Ano: 2017

Universidade Anhembi Morumbi | Câmpus São José dos Campos / KAAN Architecten + URBsp Arquitetura

Universidade Anhembi Morumbi | Câmpus São José dos Campos / KAAN Architecten + URBsp Arquitetura. Image © Fran Parente

Planta Térreo. Image via KAAN Architecten + URBsp Arquitetura
Corte. Image via KAAN Architecten + URBsp Arquitetura

Localização: Av. Dep. Benedito Matarazzo, 9009 – Jardim Oswaldo Cruz, São José dos Campos – SP, 12216-550, Brasil
Ano: 2017

Universidade Anhembi Morumbi | Campus Piracicaba / KAAN Architecten + URBsp Arquitetura

Universidade Anhembi Morumbi | Campus Piracicaba / KAAN Architecten + URBsp Arquitetura. Image © Fran Parente

Planta . Image via KAAN Architecten + URBsp Arquitetura
Corte. Image via KAAN Architecten + URBsp Arquitetura

Localização:Av. Rio das Pedras, 1600 – Piracicamirim, Piracicaba – SP, Brasil
Ano: 2018

Arena do Morro / Herzog & de Meuron

Arena do Morro / Herzog & de Meuron. Image © Iwaan Baan

Localização:Rua Camaragibe – Mãe Luíza, Natal – Rio Grande do Norte, Brasil
Ano: 2014

Casa Boipeba / daarchitectes

Casa Boipeba / daarchitectes. Image © Michel Rey Photographe

Planta. Image via daarchitectes

Localização: Cairu, Brasil
Ano: 2018

Fundação Iberê Camargo / Álvaro Siza

Fundação Iberê Camargo / Álvaro Siza Vieira. Image © Fernando Guerra
Planta Térreo. Image via Álvaro Siza
Corte. Image via Álvaro Siza

Localização:Av. Padre Cacique Porto Alegre Brasil
Ano: 2003

Palavras que transformam: Projeto espalha significados positivos em espaços danificados na cidade

A ideia é intervir em lugares que precisam de reformas, como escolas, quadras esportivas, mobiliários urbanos, muros e ruas, transformando esses espaços em plataformas que compartilham palavras que a própria comunidade ajuda a escolher eprovocando conversas sobre o tema entre as pessoas.

O projeto Palavras que Transformam é idealizado pela Shoot The Shit, e saiu do papel assim que a Alma Engenharia decidiu entrar como parceira. Juntas, as duas empresas definiram um local para a primeira intervenção e começaram a botar o projeto em prática.

A intervenção escolhida para ser a primeira reforma do projeto foi a revitalização da quadra esportiva da Escola Estadual Brigadeiro Silva Paes, localizada no bairro Teresópolis, zona sul de Porto Alegre. A quadra, que não estava apropriada para a utilização dos alunos, hoje conta com um piso totalmente novo, goleiras reformadas e novas tabelas de basquete.

Além dessas melhorias, a palavra escolhida pela comunidade escolar, “Empatia”, agora estampa a nova quadra esportiva e espalha para crianças e pessoas da escola o significado dessa atitude tão importante para os dias atuais.

EMPATIA

substantivo feminino

  1. Faculdade de compreender emocionalmente um objeto (um quadro, por exemplo).
  2. Capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela.
  3. Capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende etc.

Confira o processo da primeira reforma:

O antes e o depois!

Todo o histórico do projeto está disponível no Instagram do Palavras que Transformam!

A ideia do projeto “Palavras Que Transformam” é realizar mais reformas cada vez mais. A equipe está atrás de novos locais que precisem da transformação, assim como pessoas para doar e apoiar com materiais necessários. Através da arte e de palavras com o poder de mudar o mundo, o objetivo é fazer da cidade um lugar mais acolhedor, vivo e humano.

IberCultura Viva lança edital de Apoio a Redes e projetos colaborativos

Organizações culturais comunitárias e povos originários interessados em realizar encontros, congressos, seminários, festivais, feiras, colóquios e/ou simpósios podem se inscrever no Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2019. Os eventos deverão ser realizados entre outubro de 2019 e maio de 2020, com entrada livre e gratuita.

O edital está destinado a organizações e coletivos de cultura comunitária e/ou povos originários que trabalham em articulação e de maneira colaborativa com ao menos outras duas organizações e/ou coletivos nos países membros do programa: Argentina, Brasil, Costa Rica, Chile, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, México, Peru e Uruguai.

Os projetos devem ser apresentados por uma organização ou povo originário com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, que ficará a cargo da administração dos recursos. Cada projeto poderá receber até US$ 5 mil, e este aporte somente poderá ser utilizado em gastos de produção e comunicação do evento. O montante total destinado a este edital é de US$ 55 mil.

No caso de organizações e/ou comunidades de povos indígenas do Brasil, só poderão participar aquelas reconhecidas e certificadas como Pontos de Cultura, devendo ter inscrição atualizada na plataforma Rede Cultura Viva. No caso de organizações e/ou povos originários do Equador, a pessoa responsável pelo projeto deverá estar inscrita no Registro Único de Atores Culturais (RUAC).

Inscrições

As inscrições estarão abertas no Mapa IberCultura Viva até 15 de julho (às 18h, considerando o horário oficial de Buenos Aires, Argentina). Este edital está destinada aos agentes coletivos, mas o agente responsável da inscrição deve ser uma pessoa física (agente individual). Aqueles que já têm seus registros na plataforma devem ir diretamente a “Editais” e buscar por “Edital IberCultura Viva de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo 2019 (em português) para iniciar sua inscrição.

Os representantes de organizações que ainda não se registraram no Mapa IberCultura Viva devem se inscrever inicialmente como agentes individuais (pessoas físicas) e depois fazer o registro de agente coletivo, com os dados de sua organização comunitária, Ponto de Cultura etc. Uma vez que tenham os perfis de agentes registrados, devem clicar em “Editais” e buscar o arquivo que aparece com o título em espanhol para iniciar sua inscrição. Neste arquivo se encontram o regulamento, o formulário e os adjuntos que devem ser preenchidos e enviados no ato de inscrição.

A Unidade Técnica de IberCultura Viva e o Conselho Intergovernamental do programa estarão a cargo das duas etapas do processo de seleção (“Habilitação” e “Avaliação”, respectivamente). Entre os critérios que serão levados em conta na avaliação dos projetos estão a adequação aos objetivos estratégicos do programa; os impactos artístico-culturais, econômicos e/ou sociais; a experiência da rede ou coletivo proponente; a proposta técnica apresentada e a coerência e adequação do orçamento e do plano de trabalho.

Confira o regulamento

Inscrições

Como registrar-se na plataforma

Cidades mais criativas do mundo, segundo a UNESCO

UNESCO, agência especializada das Nações Unidas (ONU), disponibiliza um mapa gratuito dascidades mais criativas do mundo.

O Brasil aparece em 5º lugar, com 8 destinos. Fica atrás apenas de China, Reino Unido, Itália, Estados Unidos e empata com o Japão. Já mostramos aqui algumas dessas cidades como Étienne, no Vale do Loire, na França, cidade reconhecida na categoria de design.

CATEGORIAS E MISSÃO

As cidades são classificadas como mais criativas em diversas categorias. Artesanato e Arte folclórica, Design, Filme, Gastronomia, Literatura, Artes Midiáticas e Música. Os 8 lugares do Brasil que estão no mapa são:

  • Belém (Gastronomia)
  • Brasília (Design)
  • Curitiba (Design)
  • Florianópolis (Gastronomia)
  • João Pessoa (Artesanato e Arte folclórica)
  • Paraty (Gastronomia)
  • Salvador (Música)
  • Santos (Filme)

A UNESCO tem como objetivo maior promover a paz através de cooperação internacional na Educação, Ciências e Cultura. O programa da UNESCO contribui para atingir as metas de desenvolvimento sustentável definidas na Agenda 2030.

Essa rede de cidades criativas da UNESCO é mais do que apenas um mapa. O projeto acredita na cooperação e troca de experiências para fazer da criatividade uma alavanca no desenvolvimento urbano. Além de que juntas as cidades podem conceber novas soluções que resolvam problemas comuns.

A este respeito, a Rede de Cidades Criativas da UNESCO oferece oportunidades inigualáveis para as cidades aproveitarem os processos de aprendizagem e projetos colaborativos para capitalizar totalmente seus ativos criativos e usar isso como base para construir um desenvolvimento sustentável, inclusivo e equilibrado em aspectos econômicos, culturais e culturais, ambientais e sociais.” – Declaração pública da UNESCO

REDE DE CIDADES CRIATIVAS, UCCN

A rede de cidades criativas da UNESCO, UCCN (do inglês “UNESCO Creative Cities Network“) está com inscrições abertas até 30 de Junho! Isso vale para cidades que queiram se juntar à rede e participar desse desenvolvimento colaborativo. Você pode ter acesso ao estatuto com a missão, objetivos e áreas de atuação e ver se onde você mora se encaixa nos requisitos para inscrição através do site da UCCN.

A criatividade está sendo cada vez mais valorizada como uma característica essencial para desenvolvimento de empresas e pessoas e a ONU até decretou o dia 21 de Abril como dia mundial da criatividade, impulsionando cidades para criarem eventos e promoverem trocas de experiências e verem como podemos mostrar a importância e a dimensão do valor criativo nos dias atuais.

E apesar do Rio de Janeiro não estar nessa lista, já falamos aqui de quando ele recebeu o título da UNESCO como a 1ª cidade a receber o título de capital mundial da arquitetura.

No mapa, você encontrará diversos lugares para viajar, independente do que você está buscando, como destinos que se encontram nas tendências de viagem de 2019 , cidades muito conhecidas como Praga, Barcelona, Berlim, Roma, Istambul e outras tão importantes quanto como Phuket (pela gastronomia), Enghien-les-Baines (pelas artes midiáticas), Varanasi (pela música), Tunis (pelo Artesanato e Arte folclórica) e muitas outras a serem descobertas.

DESTINOS

Independente do que você estiver buscando para destino de férias, seja para tirar fotos de incríveis mesquitas iranianas, registrar o encontro poético com o mar ou conhecer algumas das muitas cidades super coloridas do mundo como Nassau, nos EUA, essa rede de cidades da UNESCO pode te ajudar!

Além de que para gestores urbanos, designers, arquitetos, urbanistas e diversas profissões relacionadas, é uma aula ver como essas cidades estão se articulando e desenvolvendo-se a partir da criatividade.

Tavira vai ter primeiro museu de arte 100% digital na Europa

O Museu Zero constitui o primeiro centro de arte 100% digital em Portugal e na Europa e está a ser construído em Santa Catarina da Fonte do Bispo, em Tavira.

O museu tem como base um projeto que tem como mentor o empresário e antigo administrador do BCP Paulo Teixeira Pinto, que depois de deixar o banco decidiu residir em Tavira.

Segundo João Vargues, presidente da Comissão Executiva do Museu Zero, “a ideia surgiu a partir do facto do Dr. Paulo Teixeira Pinto ter vindo para o Algarve e ter decidido que faria sentido fazer um equipamento deste género na região”.

O projeto compreende a reabilitação das instalações, atualmente desativadas, da Cooperativa Agrícola de Santa Catarina da Fonte do Bispo, e “o tema central do projeto assenta na preservação e valorização da herança arquitetónica e paisagista, mantendo presentes os valores da etnografia, cultura e patrimónios algarvios”.

Para além das exposições e eventos, o Museu Zero vai contemplar uma área de residências artísticas, serviços de formação de públicos, serviço educativo, áreas de investigação e projetos criativos na área da arte digital.

Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira disse ao POSTAL que “o Museu Zero vai ser algo extraordinário para Santa Catarina, para Tavira e para todo o Algarve” sublinhando que “este é o primeiro museu 100% digital de toda a Europa” e “segundo o promotor do projeto, Dr. Paulo Teixeira Pinto, a pretensão é fazer um dos melhores museus digitais do mundo. Há outros museus digitais já, mas a ideia é que este seja uma referência no contexto”.

O autarca sublinhou ainda que “a criação cultural é o fator preponderante. Vamos ter residências para estudantes e criativos” e na prática o objetivo é “criar arte digital, criar espetáculos em artes digitais, administrar formação em arte digital. O intuito do projeto é exatamente dinamizar a criação cultural”.

João Vargues referiu ainda ao POSTAL que “queremos que este equipamento contribua para trazer a arte contemporânea para o Algarve, especificamente na parte da arte digital. Há muito trabalho feito neste sentido. Existem muitos outros equipamentos que mostram a arte contemporânea, mas esta estrutura vai focar-se naquilo que é a arte digital, no seu próprio espaço”.

Segundo o responsável, “os primeiros passos já estão concluídos. Queríamos ter a certeza que poderíamos reabilitar o edifício como desejaríamos. O trabalho que fizemos foi no sentido de ter a licença da obra aprovada de modo a começar a construir”, sendo que “o segundo patamar é trabalhar com outras entidades da região, entidades nacionais e internacionais para podermos ter parceiros e captarmos turistas, visitantes e artistas”.

O Museu Zero tem até ao momento como parceiros oficiais o MAAT- Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, a Universidade do Algarve, a Direção Regional da Cultura e o Município de Tavira, bem como outras associações culturais da região.

A requalificação dos antigos silos agrícolas vai ser financiada em cerca de 70% por fundos comunitários do programa operacional CRESCE Algarve2020, um total de 1,9 milhões de euros.

Jorge Botelho sublinhou ainda que “a obra de reabilitação custa cerca de dois milhões de euros, mas depois existe muito mais a fazer, temos toda a instalação e criação dos ateliers, das pessoas, das residências, das parcerias, do processo criativo. Este é todo um investimento proficiente que vamos ter em Tavira” afirmando que “o Museu Zero vai ser seguramente um sítio de visita obrigatória no Algarve para todos aqueles que se interessam pela arte e cultura digital”.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o Museu Zero deverá abrir em 2020.

Sistema Nacional de Cultura chega a 2649 municípios brasileiros

A cidade de Entre Rios, em Santa Catarina, passou a integrar o Sistema Nacional de Cultura (SNC), instrumento de gestão compartilhada de políticas públicas de cultura adotado pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania. Agora, estão no sistema 2649 municípios brasileiros, além do Distrito Federal (47,55% do total), o que engloba mais de 158,4 milhões de habitantes.

O Sistema Nacional de Cultura é um processo de gestão e promoção das políticas públicas de cultura democráticas e permanentes, pactuadas entre os entes da Federação (União, estados e municípios) e a sociedade, no qual cada um cumpre papel relevante para o alcance de resultados comuns. Por isso, o SNC é organizado em regime de colaboração, de forma descentralizada e participativa, tendo por objetivo promover o desenvolvimento humano, social e econômico com pleno exercício dos direitos culturais.

Ao realizar a adesão ao SNC, o ente federado estará organizando e fortalecendo suas políticas públicas culturais de forma sistêmica e perene, permitindo que sejam estabelecidas como políticas de Estado, por meio da criação e publicação da Lei do sistema de cultura local e da criação de órgão de gestão local, conselho de política cultural, conferência, sistema de financiamento e plano de cultura, com metas a serem cumpridas.

Além disso, os entes federados que aderiram ao SNC participarão da descentralização articulada e pactuada da gestão, dos recursos e das ações no campo da cultura. A adesão ao SNC muitas vezes é pré-requisito para participação do estado ou município em editais e ações de promoção realizadas pela Secretaria Especial da Cultura.

Como aderir

Para aderir ao SNC, basta que o representante do governo do estado ou município cadastre-se na Plataforma no site http://snc.cultura.gov.br. As informações solicitadas deverão ser preenchidas e o usuário cadastrará uma senha para acompanhamento da adesão. Após o preenchimento, o Formulário de Solicitação de Integração e o Acordo de Cooperação serão gerados para impressão e assinatura. Tais documentos deverão ser enviados para a Secretaria da Diversidade Cultural (SDC) da Secretaria Especial da Cultura, via e-mail (snc@cultura.gov.br) ou Correios. Após tal procedimento, a SDC publicará o Acordo de Cooperação Federativa (de vigência indeterminada) no Diário Oficial da União e atualizará a situação do ente federado na plataforma do SNC para “Publicado no DOU”.

Em 2019, além de Entre Rios, outros seis municípios aderiram ao SNC: Jundiá (RN), Água Nova (RN), Carmo do Cajuru (MG), Cocal dos Alves (PI), Ibitiúra de Minas (MG) e São Geraldo (MG).

 

Capela Sistina: um templo de arte e espiritualidade

Muita gente visitou e quase todo mundo já ouviu falar na Capela Sistina – a igreja particular do papa que abriga uma das mais significativas coleções de arte renascentista e é palco do Conclave, a cerimônia em que é escolhido cada novo pontífice. Mas poucos têm ideia das histórias que envolvem sua construção e dos significados que dela podem ser extraídos.

A primeira curiosidade diz respeito ao projeto, que acredita-se ter sido inspirado no Templo de Salomão – o recinto sagrado de Jerusalém no século 1 antes de Cristo. Embora a descrição e as medidas do templo* estejam noAntigo Testamento – escritura compartilhada peloCristianismo e pelo Judaísmo – causa espanto o fato de uma capela cristã ser feita ‘à imagem e semelhança’ de um lugar que funcionou como centro espiritual da tradição Judaica.

Outra surpresa vem dos famosos afrescos do teto pintados por Michelangelo. Neles, não há qualquer referência ao Novo Testamento – a parte da Bíblia introduzida pelo Cristianismo. As pinturas retratam nove cenas do Livro do Gênesis, do Antigo Testamento, ao redor das quais estão cinco sibilas – as mulheres que tinham a função divinatória nos oráculos gregos e sete profetas reconhecidos pelos cristãos, mas que foram consagrados pelos judeus.

 

Os elementos judaicos são encontrados também nos mosaicos Cosmatescos que compõem o piso da capela, por conterem em seus traçados geométricos  elementos como os círculos da árvore da vida e a estrela de seis pontas formada pela superposição de dois triângulos em posições opostas. O diagrama, que simboliza a intersecção de opostos como céu e terra ou masculino e feminino, é conhecido atualmente como Estrela de Davi – um dos símbolos atribuídos aos judeus.

A escolha do Templo de Salomão como modelo arquitetônico da capela pode ter partido da própria cúpula católica numa espécie de afirmação da Tradição Cristã como substituta da religião judaica e de Roma como substituta de Jerusalém. Já os elementos do Judaísmo, encontrados nos afrescos de Michelângelo, seriam rebeldias cometidas pelo artista segundo contam Roy Doliner e o rabino Benjamin Blech, no livro “Os segredos da Capela Sistina”.

Mensagens ocultas na Capela Sistina  

Para entender a tese de Doliner e Blech é preciso conhecer um pouco a história da capela e o contexto histórico em que ela foi construída (entre 1475 e 1483), por iniciativa do papa Sisto IV.

Naquele momento, havia uma grande rivalidade entre Roma e Florença. A primeira era controlada pela Igreja e defendia intransigentemente a Fé Católica, usando para isso as leis da Inquisição, enquanto a segunda tinha no comando a família Medice e pregava a tolerância religiosa, os valores humanísticos e a retomada de uma estética da Antiguidade Clássica, tornando-se mais tarde um dos principais centros do movimento artístico conhecido como Renascimento.

Eram de Florença os artistas Pietro PeruginoSandro BotticelliCosimo RosselliLucas Signorelli Domenico 

Ghirlandaio que Sisto IV levou a Roma para decorar a Capela Sistina com afrescos que narram episódios da vida de  Cristo e de Moisés. Já nessas primeiras obras, os artistas teriam cometido algumas rebeldias ocultas.

Foi também em Florença que, vinte anos depois, o papa Júlio II mandou buscar Michelangelo para pintar o novo teto da capela. O artista florentino tinha sido criado como filho por  Lorenzo de Medici e, na época, já era um renomado escultor, mas não tinha interesse pela pintura e, por isso, relutou em aceitar o trabalho. Praticamente obrigado pelo papa, ele se esmerou durante quatro anos. Trabalhava sozinho – porque não encontrou ajudantes que atendessem o seu nível de exigência -, deitado em cima de um andaime e com tinta respingando nos olhos, o que lhe rendeu problemas renais, de visão e uma escoliose.

O resultado visível a todos é uma das mais importantes obras de arte da história. Nas entrelinhas, Michelângelo teria registrado críticas à Igreja e ao papa, e demonstrado sua admiração pelo povo judeu e pela Cabala – braço místico do Judaísmo , adquirida nos anos de convivência com a família Medici.

Além da inexistência, no teto da capela, de referências ao Novo Testamento, e da presença de elementos Judaicos ou mesmo pagãos, como já foi citado anteriormente, Michelangelo teria cometido outras rebeldias: uma delas seria a inclusão de letras hebraicas disfarçadas em algumas cenas, por meio de recursos diversos como uma postura corporal ou a composição de uma imagem. Mas a ousadia maior teria sido o insulto feito ao papa Júlio II, cujas feições foram usadas na representação do profeta Zacarias. De forma sutil, mas plenamente identificável, um dos anjos pintados atrás do profeta faz o gesto de figa – sinal que na época tinha o mesmo significado que damos hoje ao ato de mostrarmos a alguém o nosso dedo médio.

Os afrescos e as lições de anatomia

Não bastassem as mensagens ocultas apontadas por Doliner e Blech, há quem enxergue nos afrescos de Michelangelo formas disfarçadas de órgãos e membros humanos. Essa tese é defendida pelos brasileiros Marcelo G. de Oliveira e Gilson Barreto – este último, cirurgião oncológico – no livro “A Arte Secreta de Michelangelo – uma lição de anatomia na Capela Sistina”.

O ponto de partida do estudo teria sido uma da cenas mais famosas dos afrescos – o nascimento de Adão. Nela, o americano Frank Lynn Meshberger já havia identificado, em estudo publicado na revista JAMA(Journal of the American Medical Association), em 1990,  a imagem do corte de um cérebro humano formado pelo Criador, Eva e vários anjos localizados à sua volta, apoiados em uma espécie de concha marrom.

O livro aponta imagens anatômicas inseridas em 33 cenas pintadas por Michelangelo na capela, entre as quais um coração e um dos lados do pulmão. Na cena de Jonas, os autores relacionam as narinas de um peixe, que na história bíblica teria engolido o profeta, com o corte transversal de um pênis. Na imagem do profeta Joel, estaria inserida a forma do osso temporal.

O uso de imagens anatômicas por Michelangelo estaria também ligada à sua espiritualidade pois ele teria dito em um de seus sonetos que se Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, o que nós temos mais próximo de Deus, na Terra, é a anatomia humana.

As descobertas relatadas no livro são demonstradas em detalhes pelos autores, que destacam o surpreendente conhecimento anatômico de Michelangelo numa época em que era proibido dissecar cadáveres. O estudo foi endossado por anatomistas e estudiosos de arte, mas causaram uma certa polêmica e foram contestadas por alguns autores.

Saber de todas essas histórias, e ter acesso a imagens, ajuda a entender a importância artística desse ‘museu renascentista’, seus possíveis significados ocultos, e o contexto histórico em que suas obras foram produzidas na virada do século 15 para o 16. Serve também para ajudar a escolher o que apreciar, de preferência com binóculo, durante a visita, pois o tempo é curto e a dispersão é grande diante de tantas obras e ao lado de tanta gente (são cinco milhões de visitantes por ano). Mas talvez a forma mais profunda de usufruir da Capela Sistina seja parar em um ponto e tentar sentir o lugar que, a exemplo das catedrais medievais e de outros centros sagrados das mais diversas tradições, parece ter sido concebido com medidas e imagens capazes de nos levar ao estado de meditação.

* Medidas da capela: 40,93 m de longitude, 13,41 m de largura e 20,70 m de altura.

Por que História e Geografia ajudam a criar um ser humano melhor?

Formar indivíduos críticos e aumentar o poder de reflexão sobre a própria realidade. De acordo com professores de História e Geografia este são alguns dos benefícios do estudo destas duas disciplinas.

Reunidos na Virada de Autores (que aconteceu entre 31 de outubro e 4 de novembro em Itapeva – MG), professores de História e Geografia reiteraram a importância das duas disciplinas que, muitas vezes e principalmente no Ensino Fundamental 1, acabam ficando em segundo plano e cedendo espaço para Matemática e Língua Portuguesa.

No entanto, História e Geografia são ferramentas para ler o mundo, segundo Sherol Santos, especialista do Time de Autores de História, historiadora e professora do Ensino Fundamental 2 em Canoas, no Rio Grande do Sul.

“Acredito que o conhecimento histórico proporciona ferramentas de leitura de mundo. Acho que as crianças podem, muito cedo, ter chaves para interpretar o mundo ao redor e o conhecimento histórico faz isso. A gente às vezes tem um certo ranço, (do tipo) ‘aprender com o passado para usar no futuro’. Não é que vamos aprender diretamente, não é aquela ideia de não repetir o passado, mas é entender as opções, as possibilidades, os movimentos das populações, o que estava no horizonte de possibilidades no passado e o que está no meu horizonte de possibilidades para eu fazer a minha ação”, afirma.

De acordo com Aline Moura, professora de História para o Ensino Médio em Macapá, no Amapá, as aulas de História e Geografia são os momentos de reflexão para os alunos.

“História, assim como a Geografia, leva os alunos à reflexão, refletir muito sobre seu espaço, entender de que forma ele atua na sociedade, de que forma ele passa a atuar. É extremamente importante pois leva o indivíduo a ser mais crítico, pensar sobre seu espaço, refletir sobre este espaço.”

Para Rodrigo Baglini, professor de Geografia do Ensino Fundamental 2, na rede estadual de São Bernardo do Campo (SP), a disciplina que leciona leva à contestação que pode resultar em justiça social.

“Por si só a Geografia já contesta a realidade que temos no mundo. A Geografia coloca o homem no espaço geográfico, que é produto de relações sociais, de relações econômicas, de relações entre homem e natureza. Nós, enquanto professores de Geografia, sempre valorizamos o item de crítica, o aluno olhar lá e entender que não está lá por uma condição normal, ele está lá porque um espaço geográfico foi construído. E, a partir do momento em que ele se entende enquanto cidadão, ele consegue propiciar uma justiça social, uma possibilidade de inserção na sociedade enquanto homem.”

Outro ponto importante a ser lembrado é que a Geografia faz uma relação entre a sociedade e a natureza e leva ao autoconhecimento, segundo Regina Tunes, mentora do Time de Autores de Geografia e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). E isso é algo comum nas ciências humanas.

“As ciências humanas, no geral, proporcionam à sociedade (a possibilidade de) se conhecer mais, se questionar e pensar como pode projetar um futuro de uma sociedade mais justa, com justiça social, com direito à cidade, com problemas ambientais mais bem resolvidos, em situações em que uma pessoa esteja exercendo de fato sua cidadania.

‘Disciplina cidadã’

Para outros professores reunidos, História e Geografia podem despertar a cidadania e o questionamento nos alunos.

“Eu entendo que a Geografia é uma disciplina cidadã. Nós (professores) temos esta obrigação de fazer com que o aluno se entenda como indivíduo que modifica o espaço e que a ação dele sobre o espaço tem consequências, (fazer o aluno) entender que ele também faz parte deste espaço enquanto sujeito que sofre por conta do sistema de forças que existe”, diz Guilherme Yamaguti, professor de Geografia no Ensino Médio em Jardinópolis (SP).

Para Guilherme, a disciplina leva a uma reflexão que faz parte da formação cidadã, do aluno “se entender como sujeito no mundo”.

“Confio muito no poder da Geografia, na capacidade dela de garantir esta reflexão, este momento de reflexão do indivíduo sobre o espaço, que vai capacitá-lo para tomar decisões. Temos o dever de formar cidadãos críticos. E aí, a tomada de decisão dele na hora de eleição ou em relação a contestar alguma situação, é particular de cada um.”

Daniela De Moraes, professora de História do Ensino Fundamental 2 em Londrina (PR), afirma que, além de formar cidadãos críticos e conscientes, as disciplinas podem funcionar como um antídoto contra o preconceito.

“Estudar História é dar oportunidade ao aluno de perceber o seu mundo de forma crítica, plural, uma forma diversa e aí, a partir deste pensamento de que o mundo é feito de forma plural, eu consigo entender que o diferente não precisa ser o meu inimigo, mas pode ser uma oportunidade para que eu possa abrir os olhos e entender que o outro me abre portas para aprender mais. Por isso que o ensino de História é tão importante, porque no mundo nós não vivemos apenas na nossa bolha”, diz.

Primeiros anos

Esta formação de cidadãos críticos e a reflexão sobre a realidade pode começar já nos primeiros anos, como destaca Alessandra Bremm, professora de História nos primeiros anos da rede estadual de Lagoa Vermelha (RS).

“(A História) É esta reflexão sobre a realidade, sobre o cotidiano. História está em tudo. E esta consciência pode ser desenvolvida desde muito cedo. E a reação deles (alunos dos primeiros anos do Ensino Fundamental) é uma descoberta, é um espaço que você proporciona para a criança descobrir coisas que, de repente, ela não tinha percebido ainda. Através da História você consegue trazer isso para a sala de aula.”

Apesar destes benefícios, Sherol Santos, especialista do Time de Autores de História, afirma que muitos questionam o estudo de História e Geografia nos primeiros anos.

“Todo mundo diz: ‘ah, mas tem que estudar História mesmo lá no Ensino Fundamental 1?’ Tem. (Tem que) se colocar no mundo, perceber o outro, entender que o outro, mesmo convivendo no mesmo espaço que você, ele tem outra vivência, outra experiência, outra visão. E que estas visões se complementam em um projeto maior. É isso que a História pode contribuir.