Incentivadores da leitura mudam vidas de crianças nas favelas do Rio

Incentivadores da leitura mudam vidas de crianças nas favelas do Rio

Um deslocamento de retina afastou a aposentada do trabalho em 2005, mas isso, só despertou o desejo da voluntária de fortalecer a cultura no Morro do Salgueiro. A primeira iniciativa dela foi em 2006, quando entrou para o projeto social e começou a ministrar aulas de capoeira para população.

Dois anos depois, Denise criou a primeira biblioteca da favela e batizou com o nome da professora mais antiga do morro, Jurema Gomes da Baptista.

As primeiras prateleiras e exemplares do estabelecimento contaram com doações dos moradores. Atualmente, o local recebe cerca de 50 crianças diariamente e serve também como reforço escolar.

No próximo dia 7 de setembro, a biblioteca completa onze anos e a motivação da voluntária é difundir a prática da leitura na favela. “O que me motiva é proporcionar uma vida melhor para as crianças, porque através dos livros eles têm uma nova perspectiva de futuro”, afirma a aposentada.

“Livreiro do Alemão” leva obras para Bienal 

A 11 km de Denise, outra pessoa também busca melhorar o cotidiano de jovens de comunidades por meio das palavras. Otávio Junior, de 36 anos é intitulado como “Livreiro do Alemão”, em homenagem a obra da jornalista norueguesa Åsne Seierstad. O escritor empurra durante anos uma mala cheia de livros pelas ruas do Complexo do Alemão, na zona norte da capital fluminense.

Em 2006, Otávio iniciou o projeto “Democratizando a literatura na favela” e emprestou centenas de livros aos moradores. Apaixonado pela arte da escrita, ele começou a registrar as histórias das crianças com as obras. Após cinco anos, o escritor publicou o primeiro livro expondo essas vivências.

“A partir do projeto, percebi que as pessoas gostavam muito de toda essa experiência com a literatura, mas não se reconheciam. Foi aí que eu escrevi sobre a vivência da favela, para elas se identificarem com as obras”, diz o escritor.

Com cinco livros no currículo, ele agora embarca em uma nova experiência, e irá lançar duas obras na Bienal Internacional do Livro Rio 2019. O autor afirma que está ansioso para o evento.

“É um momento muito especial, porque vou  levar a favela para um dos maiores eventos culturais do Brasil.” 

“Grande Circo Favela” conta a história de uma menina negra, moradora de favela, que convida um palhaço para fazer um circo na comunidade. Já o livro “Da minha janela” mostra, pelo ângulo de crianças, o que elas costumam ver da favela pelas janelas de suas casas.

A opção pelo público infantil foi pelo contato direto durante mais de 13 anos com crianças do complexo.

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