Minicurso: Práticas educativas, científicas e artísticas nos museus: um chamado à História

Coordenador(es): David William Aparecido Ribeiro (USP – Universidade de São Paulo)

 

Descrição:Questões como a restituição de bens pilhados no contexto colonial, a colaboração da sociedade em crimes contra a humanidade e a permanência do racismo são o ponto de partida para refletirmos sobre o papel que os museus podem desempenhar no século XXI na promoção da cidadania de grupos sociais invisibilizados. Se no passado a linguagem dos museus e das grandes exposições, com grande apoio da ciência, disseminou entre as sociedades europeias a ideia de um progresso inexorável, que faria desaparecer todas as formas de vida e expressão vistas como primitivas, seria possível que esses mesmos espaços e instrumentos se tornassem um espaço para a promoção de um olhar mais do que “decolonial”, anticolonial? É com base nessas questões que apresentarei neste minicurso alguns aspectos do debate a partir do estudo de dois museus europeus, o Museu Real da África Central (MRAC) e o Museu Internacional da Escravidão. O primeiro, localizado em Tervuren (Bélgica), foi criado em fins do século XIX como vitrine do empreendimento pessoal do rei Leopoldo II na atual República Democrática do Congo e recentemente passou por uma renovação, tendo sido reaberto em 2018; o segundo, inaugurado em 2007, está localizado em um edifício dos antigos armazéns do porto de Liverpool (Reino Unido), rememora que ali funcionava um dos principais portos escravistas do mundo. Em comum, mas com estratégias distintas, ambos tratam de processos históricos intimamente ligados à situação presente das grandes comunidades afro-europeias, assim como têm as chaves para a compreensão de como a escravidão e o colonialismo moldaram o mundo em que vivemos. Em se tratando de questões sensíveis, cabe discutir aqui que práticas têm tido lugar nessas duas instituições — e em outras — para tornar visíveis os mecanismos escravistas e coloniais que ainda permanecem nas sociedades por eles forjadas e, assim, combatê-los. Nesse sentido, considero essencial observar três frentes de atuação e a forma como elas se combinam — as práticas educativas, as científicas e as artísticas — e de que forma a História pode colaborar. O objetivo é ser mais um espaço de diálogo entre História e Museologia, campos que podem promover, em conjunto, práticas emancipatórias. Na primeira sessão, com base na história do MRAC, abordarei aspectos das estratégias que os museus adotaram no passado para sustentar uma visão de mundo excludente; na seguinte, trarei para a discussão alguns exemplos das práticas citadas, tendo em vista as suas potencialidades e limites; na final, tendo como base a relação entre museu e sociedade, discutiremos possibilidades de ação para o campo da História em diálogo com a Museologia e as políticas culturais, visando à promoção da igualdade e da cidadania, sobretudo de grupos historicamente estigmatizados.

 

 

 

Mais informações em : https://tinyurl.com/ycws6hhg

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