Museu do Holocausto reabre em Buenos Aires após dois anos

Em um antigo prédio de 3.000 metros quadrados, recursos tecnológicos, fotos e vídeos históricos destacam testemunho de sobreviventes.

Uma foto gigante produz no visitante a sensação de entrar no campo de concentração de Auschwitz Foto: JUAN MABROMATA / AFP

 

Buenos Aires – Para alertar sobre o que o ódio pode gerar nos seres humanos, manter viva a memória das vítimas e divulgar testemunhos de sobreviventes, o Museu do Holocausto de Buenos Aires reabriu suas portas hoje após dois anos. A primeira imagem causa impacto: ao entrar no edifício localizado no bairro Norte da capital argentina, o visitante avança por um caminho de paralelepípedos que leva a uma porta de vidro na qual uma foto gigante produz no visitante a sensação de entrar no campo de concentração de Auschwitz .

Em um antigo prédio de 3.000 metros quadrados, o museu abriga uma exposição permanente sobre o Holocausto, ou seja, o extermínio de seis milhões de judeus nas mãos do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) . A exposição mostra como o que começou com restrições e “proibições quase absurdas aos judeus para forçar sua emigração da Alemanha” levou à chamada “solução final” que procurou eliminar os judeus do planeta, explicou o historiador Bruno Garbari, responsável pelo  conteúdo. “Não se pode explicar o Holocausto sem entender como Hitler chegou ao poder”, disse o especialista.

Mulher assiste a uma projeção de filmes nazistas no Museu do Holocausto em Buenos Aires. O museu, que abriga uma exposição permanente sobre o extermínio de seis milhões de judeus nas mãos do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi reaberto ao público no domingo (1º de dezembro), após dois anos fechado Foto: JUAN MABROMATA / AFP

 

Recursos tecnológicos, telas sensíveis ao toque, espaços sensoriais, tablets interativos destacam os testemunhos de sobreviventes, fotos e vídeos históricos, enquanto estatísticas dolorosas completam a informação. Seis milhões de nomes são projetados nas paredes de uma das salas, expressando a magnitude do genocídio. Focada nos sobreviventes que chegaram e reconstruíram suas vidas na Argentina, a exposição também reflete a contradição do país sul-americano de ser um refúgio para judeus perseguidos, mas também por ter abrigado líderes nazistas após a queda do regime.  Um setor é dedicado à captura em 1960 nos arredores de Buenos Aires de Adolf Eichmann, um dos principais responsáveis pela ‘solução final’, que foi sequestrado por agentes do Mosad, o serviço secreto israelense, e levado para Israel onde foi julgado e enforcado em 1962.

Um conjunto de 83 objetos nazistas encontrados e apreendidos em 2017 não fazem parte da exposição permanente, apesar das expectativas geradas há quase dois meses, quando foram entregues ao Museu pela justiça argentina. “Essas peças ainda não foram escolhidas para exibição, estão sob investigação. Quando houver um resultado confiável que valha a pena, vamos instalá-las”, disse Karszenbaum. A coleção – cuja autenticidade gerou polêmica – foi encontrada durante uma operação de busca na casa de um colecionador como parte de uma investigação em Buenos Aires por suposto tráfico de objetos chineses.

O passaporte usado pelo oficial nazista Adolf Eichmann para escapar da Alemanha para a Argentina – onde foi capturado em 1950 Foto: JUAN MABROMATA / AFP

 

 

 

 

fonte:

https://oglobo.globo.com/mundo/museu-do-holocausto-reabre-em-buenos-aires-apos-dois-anos-24111892

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