Aula II

Museu Nacional inaugura exposição na Caixa Cultural em clima de superação um ano após incêndio

Museu Nacional inaugura exposição na Caixa Cultural em clima de superação um ano após incêndio

Em clima de otimismo e superação, o Museu Nacional inaugurou nesta segunda-feira — data em que o incêndio que destruiu parte do acervo e estrutura da sede da instituição completa um ano — sua terceira exposição externa. Depois de apresentar itens recuperados dos escombros no Centro Cultural Casa da Moeda e no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o museu exibe até o início de dezembro, na Caixa Cultural, no Centro, mais de 60 itens do acervo da instituição.

— Hoje é um dia que deve marcar o que nós temos chamado de virada de página. Nem tudo se perdeu. Nós ainda somos um grande museu de história natural com material que estava fora do palácio e que está sendo recuperado — defendeu o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner.

Além das peças resgatadas no museu, a exposição gratuita “Santo Antônio de Sá: Primeira Vila do Recôncavo da Guanabara” reúne itens da mostra de mesmo nome, que foi apresentada pela primeira vez em 2010. O acervo é formado por peças encontradas no trabalho arqueológico realizado durante a construção do Complexo Petrolífero do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) , em Itaboraí. Fazendo parte do acervo do Museu Nacional, as peças estavam guardadas no Horto Botânico da Quinta da Boa Vista, e não foram atingidas pelo incêndio.

Um dos principais itens da exposição é o Tembetá, uma pequena joia utilizada pelos índios Tupi, no século XVI, cuja descoberta permitiu que os pesquisadores identificassem o período em que os indígenas ocuparam a região do Recôncavo da Guanabara — o que seria a região de fundo da Baía, compreendendo municípios como Itaboraí e Magé. O acervo inclui ainda peças como cachimbos africanos, que revelam traços culturais da população negra que foi trazida para o estado, e as faianças, porcelanas portuguesas e espanholas com brasões de famílias que deram origem aos sobrenomes de grande parte dos brasileiros, como Silva.

Funcionária da instituição há 50 anos, a museóloga e historiadora Thereza Baumann se emocionou na abertura da exposição. Ela divide a curadoria da exposição com a antropóloga Maria Dulce Gaspar, e falou da representatividade de uma exposição no dia em que o incêndio que atingiu o meu completa um ano.

— Um ano após o incêndio é uma alegria estarmos todos juntos na reinauguração de uma exposição que mostra principalmente o trabalho dos nossos pesquisadores. Isso mostra o dinamismo e a força do museu e como todos nós estamos aqui lutando para manter o Museu Nacional vivo.

Nova verba para reconstrução

No último sábado, a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro promoveu um encontro com entidades do setor público e privado para aassinatura de um protocolo que denifiniu comitês que darão sequência à recontrução do museu. Durante o encontro, o diretor executivo de relações institucionais da Vale e presidente do Conselho de Curadores da Fundação Vale, Luiz Osório, anunciou um aporte de R$ 50 milhõespara a reconstrução do museu.

— Estamos num momento muito importante, que é atrair de uma forma efetiva o empresariado para a reconstrução do Museu Nacional. Isso envolve garantir celeridade e transparência, já que todos devem saber o que está acontecendo e como as verbas estão sendo empregadas — comentou Kellner.

A reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Denise Pires de Carvalho, ressaltou que a exposição mostra o trabalho científico feito pelos pesquisadores do Museu Nacional. Em relação ao novo aporte financeiro recebido pela instituição, que se soma aos R$ 68 milhões disponíveis para obras, a reitora informou que ainda não é possível saber em que etapa das obras os valores serão empregados.

— Esse valor (R$ 50 milhões da Vale) não é suficiente, mas já é um início para gente trabalhar junto com a Unesco e o BNDES. Essa verba que a gente tem até agora dá para reconstrução da fachada e dos telhados, mas ainda não temos o orçamento, então não dá para dizer quanto faltaria, apenas que nós precisamos de mais recursos — disse.

Serviço

A exposição “Santo Antônio de Sá: Primeira Vila do Recôncavo da Guanabara” fica aberta à visitação de terça à domingo, até o dia 08 de dezembro. A entrada é gratuita, e a classificação é livre para todas as idades. A Caixa Cultural fica na Avenida Almirante Barroso, nº 25, no Centro.

 

Fonte:

https://extra.globo.com

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