Patrimônio Cultural é tema de sambas-enredo em 2020

Do Bumba-meu-boi do Maranhão a Brasília, do Marabaixo à Festa do Divino, os desfiles das escolas de samba vão narrar a cultura que compõe o cotidiano da população

Patrimônio Cultural é tema de sambas-enredo em 2020
Carnaval | Divulgação Iphan

O Carnaval nos corredores do samba de todo o Brasil é um festival de Patrimônio Cultural: em 2020, pelo menos quatros escolas, do Rio de Janeiro e de São Paulo, têm como tema de seus enredos bens registrados e tombados como Patrimônio Cultural do Brasil. Parte das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro, o samba-enredo se agrega a outras manifestações da cultura nacional para sambar e cantar as várias faces da História do Brasil. Do Bumba-meu-boi do Maranhão a Brasília, do Marabaixo à Festa do Divino, os desfiles das escolas de samba vão narrar a cultura que compõe o cotidiano da população. Quer saber um pouco mais do Patrimônio Cultural que desfila na Marquês de Sapucaí (RJ) e no sambódromo do Anhembi (SP)? Clique no infográfico abaixo!

Paraíso do Tuiuti (RJ) – O Santo e o rei: encantarias de Sebastião

As narrativas e a devoção ao santo e rei Sebastião, “nos altares e terreiros”, como demarca a letra do samba, é o eixo central do enredo da escola Paraíso do Tuiuti em 2020. De rei que desapareceu em batalha no Norte da África ainda no século XVI, dom Sebastião foi acolhido pela cultura brasileira, se relacionando à devoção a São Sebastião, o santo católico. De seu desaparecimento, dom Sebastião “aportou nas águas do Maranhão”, reconta a sinopse da Paraíso do Tuiuti, tornando-se um encantando que está presente no Bumba-meu-Boi (MA), manifestação registrada pelo Iphan como Patrimônio Cultural. Uma devoção que atravessa o país: de padroeiro da cidade do Rio de Janeiro às dezenas de festas em homenagem ao santo que se espalham pela região do Marajó, no Pará. Dom Sebastião vai voltar na Sapucaí?

Vila Isabel (RJ) – Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil

A construção de Brasília e o conhecimento indígena se entrelaçam no samba-enredo da escola de samba carioca Vila Isabel, que também homenageia o aniversário de 60 anos da capital federal. Na letra do samba, o presidente Juscelino Kubitschek vira “um cacique inspirado” que mandou construir “Brasília, joia rara prometida”, cidade que é tombada pelo Iphan e reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial dada a relevância de sua arquitetura modernista. Os arquitetos que assinam o projeto da capital, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, tornam-se dois pajés na narrativa da escola, que, com a “ajuda e idealização de tantos outros de agora e de outrora, será o projeto moderno centro desse chão”, define a sinopse do enredo. O slogan de JK, vira parabéns: 60 anos em cinco! As asas do Plano Piloto e o Eixo Monumental estarão envolvidos ao conhecimento indígena junto a boiúnas, curumins e a própria Jaçanã, a ave do enredo, componentes do universo tupi, que é marca da formação cultural brasileira e identidade de muitos povos indígenas ainda hoje.

Unidos da Tijuca (RJ) – Onde moram os sonhos

“Como é linda a vista lá do meu Borel” é um dos versos em forma de homenagem que a Unidos da Tijuca presta ao Rio de Janeiro em 2020. Com o enredo “Onde nascem os sonhos”, a escola vai narrar a arquitetura e o urbanismo da cidade, detentora de um vasto conjunto tombado pelo Iphan. Casas, castelos, monumentos, prédios, parques. Tudo está no traço de arquitetos em diferentes períodos da história da cidade – de Colônia a Império, de Império a República. Mas não só isso: o enredo deste ano é a união da arquitetura às belezas naturais do Rio. É essa mesma união que rende à cidade o reconhecimento como Patrimônio Cultural Mundial: “Rio de Janeiro, paisagens cariocas entre a montanha e o mar”. E da montanha ao mar, a Unidos da Tijuca lembrará, ainda, os desafios de preservação dessa paisagem que é Patrimônio da Humanidade.

X-9 Paulistana (SP)

O enredo da X-9 Paulistana em 2020 é a diáspora africana na formação das brasilidades: de ritmos a danças, de gingas a manifestações que são registradas pelo Iphan como Patrimônio Cultural. Na avenida, a escola traz Os Batuques do Brasil. No samba, tem Festa do Divino, maracatu e caboclinho. E, claro, o Jongo do Sudeste. São baques que vão “seguindo o caminho que a fé irradia”, define o samba-enredo. E rufa tambor. A sinopse amplia o ritmo, demarcando que são “um toque de fé, um toque de religiosidade”, e aponta para a ancestralidade, “pois vem da África o meu batuque”. E bate pandeiro! Essa festa de batuque continua em adereços, alas e carros alegóricos que representarão as zimbas da Amazônia, como o carimbó do Pará e o marabaixo do Amapá, além do Samba do Recôncavo. E, para demarcar o compasso da festa do Patrimônio Cultural em batuques, o samba-enredo comanda o espetáculo, já que ele próprio é registrado como parte das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro. E gira a saia…

 

 

Fonte:

https://www.meionorte.com/

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