SIIC 2009-2020: setor cultural ocupava 4,8 milhões de trabalhadores em 2020

Por editoria: Estatísticas Sociais

Via: Agencia de Notícias

O setor cultural ocupava 4,8 milhões de pessoas em 2020, segundo a PNAD Contínua, representando 5,6% da população ocupada do país. Houve queda de 11,2% ante 2019, quando o setor ocupava 5,5 milhões de pessoas, ou 5,8% do total.

A proporção de ocupados no setor cultural com nível superior (30,9%) superava a média do país (22,6%). Já a proporção de ocupados pretos ou pardos (43,8%) estava abaixo da média nacional (53,5%).

Em 2020, o trabalhador por conta própria era a principal categoria da população ocupada no setor cultural (41,6% do total), seguido pelos empregados com carteira (37,7%) e sem carteira (11,3%).

Segundo o Cadastro Central de Empresas do IBGE, que abrange apenas o setor formal, a cultura era responsável por 6,3% do total de unidades locais das empresas do país. O líder era o Rio de Janeiro, onde 8,0% das unidades locais eram do setor cultural. O Distrito Federal (7,7%), São Paulo (7,6%) e Roraima (6,4%) vinham a seguir. As menores participações foram do Piauí (4,3%), Pará (4,5%) e Tocantins (4,6%).

A despesa média mensal das famílias com cultura, segundo a POF 2017-2018, foi de R$ 291,18. As maiores despesas com cultura foram com os serviços de telefonia, TV por assinatura e internet (R$ 172,63). A participação dos itens de consumo cultural (IPCult) no orçamento das famílias chegou a 9,6% do IPCA.

O valor adicionado do setor cultural chegou a R$ 256 bilhões em 2019, equivalente a 9,8% da riqueza criada no âmbito das pesquisas econômicas anuais do IBGE, uma perda de 1,4 p.p. em relação a 2009 (11,2%).

É o que mostra a quinta edição do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) 2009-2020, que consolida informações de diferentes pesquisas do IBGE. Pela primeira vez, o SIIC traz dados da pesquisa Regiões de Influências das Cidades (Regic) sobre a atratividade das atividades culturais dos municípios. São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Belém (PA) e Belo Horizonte (MG) mostraram a maior atração de moradores de outros municípios para atividades culturais em seu território. Mas municípios menores, como Balneário Camboriú (SC), Crato (CE), Parintins (AM), Caruaru (PE) ou Caldas Novas (GO) têm as atividades culturais como a principal ou uma das principais motivações para atrair visitantes.

O total dos gastos públicos alocados no setor cultural aumentou de R$ 6,2 bilhões em 2009 para R$ 9,8 bilhões em 2020, primeiro ano da pandemia, um aumento nominal de 57,6%. Mas nesse período, a participação da cultura nos gastos das três esferas de governo (federal, estadual e municipal) recuou.

Os valores captados por produtores culturais via incentivo fiscal subiram de R$ 980 milhões em 2009 para R$ 1,489 bilhão em 2020. O Sudeste captou 77,7% do total.

As atividades no domínio Equipamentos e materiais de apoio geraram 67,0% do valor adicionado da cultura em 2019, com Mídias Audiovisuais e Interativas a seguir (14,8%).

O celular foi o equipamento mais usado para acesso à internet (98,6%), com microcomputador (46,2%), televisão (32,5%) e tablet (10,9%) a seguir. Em 2019, 88,9% dos usuários de internet a usaram para assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes, evidenciando a importância da fruição cultural digital.

Atividades culturais tinham 338,7 mil organizações e 2 milhões de ocupados

Segundo o Cadastro Central de Empresas, em 2019, havia 338,7 mil organizações formalmente constituídas em atividades culturais. Elas representavam 6,5% das organizações formais e ocupavam 2,0 milhões de pessoas, sendo 1,6 milhão de assalariados, ou 3,4% do pessoal assalariado no país. Houve perda de participação do setor ante 2009, quando a cultura representava 7,8% das empresas e 3,5% dos assalariados.

Em 2019, o salário médio mensal das atividades culturais era de R$ 3.595,26, sendo 21% superior ao da média do CEMPRE (R$ 2.975,74).

Cerca de 79,9% das empresas relacionadas a atividades culturais empregavam até 4 pessoas, representando 6,6% de todos os assalariados do setor cultural. Essas organizações perderam representatividade no setor cultural: em 2009, elas representavam 82,5% das organizações e ocupavam 7,8% dos assalariados. Já as organizações com 500 ou mais pessoas ocupadas reuniam apenas 0,1% do total de organizações em 2019 e ocuparam 29,1% dos assalariados.

Mulheres ganhavam 70,3% do salário dos homens nas atividades culturais

Em 2019, nas atividades culturais (CEMPRE), os homens (R$ 4.139,00) receberam um salário mensal médio superior ao das mulheres (R$ 2.910,00 ou 70,3% do salário dos homens). Os três domínios culturais que em que as mulheres mais predominaram foram Educação e capacitação (68,4%), Artes visuais e artesanatos (64,2%) e Livro e imprensa (53,2%). Já os homens estiveram mais presentes em Mídias audiovisuais e interativas (63,2%), Equipamentos e materiais de apoio (62,2%) e Apresentações artísticas e celebrações (57,4%). Havia 32,2% do pessoal ocupado assalariado da cultura com nível superior, enquanto para o total do Cadastro de Empresas esse percentual foi de 23,1%.

Em dez anos, Design e serviços criativos ganham 31,7 mil empresas e crescem 91,9%

Segundo a Unesco, as atividades culturais foram classificadas em centrais (oito atividades) e periféricas (Equipamentos e materiais de apoio). As oito atividades centrais respondem por 66,2% das organizações formalmente constituídas, 51,1% e dos assalariados do setor (formal) e pagaram, em média, R$ 2.840 mensais. As atividades periféricas incluíram o restante das organizações (33,8%) e dos assalariados (48,9%), com remuneração média maior (R$ 4.366 mensais).

Em uma década, Equipamentos e materiais de apoio foi o domínio que mais contribuiu para a queda de 10,3% (ou menos 40,2 mil empresas) no número de organizações no setor cultural, influenciado pelo comércio varejista de equipamentos e suprimentos de informática. Já nas atividades culturais centrais, o comportamento foi heterogêneo: Livro e imprensa perderam 26,7 mil organizações (-35,2%), enquanto Design e serviços criativos ganharam 31,7 mil (alta de 91,9%), tornando-se o domínio com mais organizações (19,6% do total da cultura).

De um modo geral, as mulheres ganharam menos do que os homens. Enquanto eles receberam, em média, R$ 4.139 ao mês em 2019, elas, R$ 2.910. Apenas em dois domínios elas ganharam mais: Patrimônio natural e cultural e Apresentações artísticas e celebrações.

No setor cultural, 32,2% dos assalariados tinham nível superior em 2019; no Cempre, 23,1%. Por domínios culturais, a escolaridade era heterogênea: apenas 9,3% dos assalariados em Artes visuais e artesanato e 10,0% em Esportes e recreação eram de nível superior. As taxas eram maiores em Patrimônio natural e cultural (42,4%) e Educação e capacitação (41,5%).

No estado do Rio de Janeiro, 8,0% das unidades locais eram do setor cultural

A cultura era responsável por 6,3% do total de unidades locais (que inclui, por exemplo, as filiais) do Cempre. No Rio de Janeiro, 8,0% das unidades locais eram do setor cultural, maior concentração verificada, seguido por Distrito Federal (7,7%), São Paulo (7,6%) e Roraima (6,4%). As menores participações estavam em Piauí (4,3%), Pará (4,5%) e Tocantins (4,6%).

A mão de obra ocupada no setor cultural segue a tendência de migração das capitais. Em 2009, 55,6% do pessoal ocupado assalariado estava nas capitais e, em 2019, reduziu para 50,8%, o que aconteceu também com o total das atividades.

Taxa de sobrevivência é mais elevada em empresas de educação e capacitação

Em 2019, as taxas de entrada e saída das empresas do setor cultural foram 22,2% e 16,2%, respectivamente, valores semelhantes aos encontrados no CEMPRE. Quanto à sobrevivência, daquelas nascidas de 2008 a 2014, em média, apenas 38,5% sobreviveram após o quinto ano de vida. No total do CEMPRE essa taxa foi de 40,5%.

Com relação à capacidade de sobrevivência, Educação e capacitação destaca-se com 48,5% das empresas sobrevivendo após o 5º ano de vida. Já o domínio com a menor taxa de sobrevivência foi Esportes e Recreação (27,8%). Os domínios culturais mais dinâmicos, ou seja, com maiores taxas de entrada e saída, em 2019, foram Design e serviços criativos (57,3% entrada e 32,8% saída) e Mídias audiovisuais e interativas (29,0% e 18,8%).

Em 2019, o setor cultural apresentou 1.621 empresas de alto crescimento (EAC), isto é, 6,5% do total das EAC, o que representa um ganho de participação frente a 2009 (5,1%). O domínio cultural com a maior proporção de EAC foi Mídias audiovisuais e interativas (9,6%). As EAC são empresas com crescimento médio do pessoal ocupado assalariado maior que 20% ao ano, por um período de três anos. No presente estudo, foram consideradas as empresas com 10 ou mais pessoas assalariadas no ano inicial de observação.

Valor adicionado do setor cultural chegou a R$ 256 bilhões em 2019

Segundo as pesquisas estruturais de indústria, comércio e serviços, do IBGE, as empresas do setor cultural representavam 7,5% do universo considerado, com 5,7% do total de pessoas ocupadas em 2019. Em relação a 2009, o setor cultural encolheu na representatividade dessas variáveis, uma vez que os percentuais eram 8,3% e 6,0%, respectivamente.

A receita líquida das empresas classificadas nas atividades culturais em 2019 foi de R$ 608 bilhões, ou 6,7% do total faturado pelo universo das pesquisas, perda de 1,7 ponto percentual (p.p.) na comparação com 2009 (8,4%). O valor adicionado pelas atividades culturais foi de R$ 256 bilhões em 2019, equivalente a 9,8% do total de riqueza criada pelos setores econômicos considerados, com perda de 1,4 p.p. em relação a 2009 (11,2%).

Telecomunicações (29,6%) segue como maior participação no VA da cultura

Na ótica do valor adicionado, a importância econômica do setor cultural está mais concentrada nas atividades culturais periféricas (Equipamentos e materiais de apoio), que geraram 67,0% do total do VA cultural em 2019, aumentando sua participação em 0,8 p.p. ante 2009. Dentro do grupo, entretanto, estão incluídas atividades econômicas que agregam, em uma mesma CNAE, atividades consideradas culturais e outras, não necessariamente vinculadas à cultura.

A classe de atividade CNAE Telecomunicações por fio, sem fio e por satélite foi a principal geradora de VA dentro do setor cultural, com participação de 29,6% em 2019. A segunda maior participação no VA cultural foi Desenvolvimento e licenciamento de programas de computador (17,4%), que inclui criação e manutenção de aplicativos para celular e webdesign.

Mídias audiovisuais e interativas participam de 14,8% do VA da cultura

O domínio Mídias Audiovisuais e Interativas aumentou em 0,6 p.p. sua relevância dentro do âmbito cultural, mantendo a segunda maior participação nas atividades culturais centrais (14,8% em 2019). Nesse domínio, destaca-se a atividade de portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na Internet – que inclui redes sociais e serviços de streaming – com 3,1% do VA cultural em 2019, contra uma participação inferior a 0,5% em 2009.

Ainda dentro desse domínio, é relevante o crescimento da classe da CNAE Outras atividades de telecomunicações, que abrange provedores de acesso doméstico e empresarial à Internet, e que gerou 3,9% do VA da cultura em 2019, ganhando 1,5 p.p. em relação a 2009.

O crescimento dessas duas atividades foi suficiente para se sobrepor à perda de importância em relação ao total do VA cultural, observada de 2009 para 2019, de duas importantes atividades pertencentes a esse domínio: atividades de televisão aberta (de 5,0% para 3,3%) e operadoras de televisão por assinatura (de 2,8% para 1,2%).

Ainda no tocante às atividades culturais centrais, o domínio que teve maior crescimento de importância entre 2009-2019 foi o de Design e serviços criativos, que aumentou sua relevância em 0,7 p.p. e atingiu 6,7% do VA cultural em 2019.

Por outro lado, a perda de importância mais expressiva ocorreu no domínio Livro e imprensa, que participou com 6,0% da geração do VA cultural em 2019, perdendo relevância ante 2009 (8,9%), influenciado pelas perdas na atividade de edição e edição integrada à impressão, que teve retração de 2,9 p.p. de participação no VA cultural total no período considerado.

Gastos públicos com cultura chegam a R$ 9,8 bilhões em 2020

Os gastos públicos no setor cultural, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, subiram de R$ 6,2 bilhões em 2009 para R$ 9,8 bilhões em 2020, primeiro ano da pandemia, um aumento nominal de 57,6%. No mesmo período o IPCA foi cerca de 84%.

Os gastos públicos de 2020 não incluem os R$ 3,0 bilhões de auxílio ao setor cultural em função da pandemia (Lei Aldir Blanc), transferidos pelo governo federal a estados e municípios. Tais recursos foram contabilizados como encargos especiais e não na rubrica de cultura.

Entre 2009 e 2020, os gastos do governo federal em cultura subiram 17,0%, enquanto nos estados e municípios os aumentos foram de 63,8% e 67,9%, respectivamente.

De 2019 a 2020, os estados, destinatários de 50% dos recursos oriundos da Lei Aldir Blanc, aumentaram os gastos em cultura em 51,2%, compensando os efeitos da pandemia no setor.

Já os municípios, que receberam os 50% restantes dos recursos, registraram redução dos gastos em 9,8% entre 2019 e 2020, levando à conclusão de que a redução da despesa nesse nível de governo teria sido ainda maior sem o auxílio emergencial ao setor.

Participação da cultura no total das despesas cai nas três esferas

Apesar do aumento da despesa com cultura, houve uma queda da participação da cultura no total da despesa das três esferas de governo (de 0,29% em 2009 para 0,21% em 2020). A nível federal a queda foi de 0,08% em 2009 para 0,04% em 2020, enquanto os governos estaduais reduziram a participação da despesa de 0,49% para 0,38%.

Já a esfera municipal, a mais relevante nos gastos públicos com cultura, teve a queda mais expressiva, passando de 1,16% em 2009 para 0,69% em 2020, uma redução de 0,47 p.p na participação do setor cultural no total de gastos.

Captação por produtores culturais chega a quase R$ 1,5 bilhão em 2020

Os valores captados por produtores culturais via incentivo fiscal subiram de R$ 980 milhões em 2009 para R$ 1,489 bilhão em 2020. Em 2009, 63,4% do total vinham de renúncia fiscal e 36,6% efetivamente investidos pelo setor privado. Já em 2020, 84,11% foram da renúncia fiscal e 16,3% efetivamente investidos pelo setor privado na promoção de projetos culturais.

O valor captado com projetos culturais ainda é centralizado no Sudeste (77,7%), apesar da redução de 1,0 p.p frente a 2009. A participação da região Sul, por outro lado, subiu de 10,4% em 2009 para 14,4% em 2020. A participação do Nordeste também subiu, de 0,6% para 1,2%. Norte e Centro-Oeste apresentaram reduções, respectivamente, de 6,6% e 3,7% em 2009 para 4,2% e 2,5% em 2020.

Preços da cultura compõem 9,6% do IPCA

O Índice de Preços da Cultura (IPCult) reflete o comportamento, ao longo do tempo, dos preços de uma cesta fixa de produtos predominantemente utilizados para fins culturais. A cesta de elementos culturais tem como base o IPCA.

Na cesta baseada na POF 2008-2009, os subitens culturais do IPCult totalizavam 8,7% da cesta nacional do IPCA. Já na nova cesta, a partir da POF 2017-2018, este peso cresceu para 9,6%. Os Serviços de telefonia, TV por assinatura e Internet se mantêm como o principal componente do IPCult, com participação de 60,8% da nova cesta, e Serviços culturais vêm em segundo (11,9%), seguidos por Artigos de residência (11,3%) e Produtos e atividades de ensino (9,6%).

A nova a cesta do IPCult do Brasil tem 30 subitens culturais, cinco a menos que a cesta anterior. Saíram Assinatura de jornal, Máquina fotográfica, CD e DVD, Locação de DVD e Revelação e cópia. Passaram a integrar a cesta os subitens Videogame (console), TV por assinatura, Serviços de streaming e Combo de telefonia, TV e Internet, entre outros.

Setor cultural emprega 5,6% dos trabalhadores brasileiros

O conjunto de ocupados no setor cultural a partir da PNAD Contínua, que capta o trabalho formal e o informal, foi de 4,8 milhões de pessoas, ou 5,6% do total de ocupados no Brasil em 2020. Houve queda de 11,2% em relação a 2019, quando o setor ocupava 5,5 milhões de pessoas e representava 5,8% do total de trabalhadores do país. A pandemia provocou uma queda de 8,7% do total de postos de trabalho (de 95,0 milhões para 86,7 milhões de pessoas).

São Paulo (7,5%), Rio de Janeiro (7,0%) e Rio Grande do Norte (6,7%) apresentaram os maiores percentuais de pessoas trabalhando no setor cultural. As menores taxas foram de Tocantins (2,7%), Acre (2,8%), Rondônia (3,1%), Amapá (3,1%) e Roraima (3,1%).

Em 2020, para a totalidade dos trabalhadores, 22,6% tinham nível superior completo, enquanto, no setor cultural, a proporção era de 30,9%. A participação das mulheres no setor cultural aumentou em 3,1 p.p. desde 2014, atingindo 49,5% das pessoas ocupadas. Na cultura, 43,8% dos ocupados eram de cor ou raça preta ou parda, enquanto, no geral, o percentual era de 53,5%. Entre 2019 e 2020, houve uma queda de participação das pessoas pretas ou pardas em todos os setores, pois estas foram as mais afetadas pela pandemia.

Percentual de pessoas ocupadas de 14 anos ou mais de idade, por tipo de setor, segundo características sociodemográficas selecionadas – Brasil – 2020
Características sociodemográficas Setor cultural (%) Todos os setores (%)
Com ensino superior completo ou mais 30,9 22,6
Do sexo feminino 49,5 41,7
Pretas ou Pardas 43,8 53,5
Conta própria 41,6 25,4
Ocupações informais 41,2 38,8
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2020.

Trabalhadores informais são 41,2% dos ocupados na cultura

Em 2020, a taxa de informalidade do setor cultural ficou em 41,2%, ante uma taxa de 38,8% para a população ocupada do país. Essa taxa é a proporção de empregados e trabalhadores domésticos sem carteira de trabalho assinada, de trabalhadores por conta própria e empregadores que não contribuem para a previdência social, e de trabalhadores familiares auxiliares no total da população ocupada.

O trabalhador por conta própria era a principal categoria de ocupados no setor cultural (41,6% do total), seguido dos empregados com carteira (37,7%) e sem carteira (11,3%).

Em todos os setores, nesse mesmo ano, o grupo com o maior número de ocupados foi o de empregados do setor privado com carteira (37,6%), seguido dos trabalhadores por conta própria (25,4%) e dos empregados do setor público (13,0%).

Destacam-se, em 2020, os empregados do setor privado sem carteira e os trabalhadores por conta própria, que perderam participação relativa na ocupação, principalmente no setor cultural. A pandemia destruiu mais postos de trabalho informais do que formais.

Apesar de um perfil com maior nível de instrução, houve mais trabalhadores em ocupações informais no setor cultural do que em todos os setores juntos. Em 2020, esse percentual foi de 41,2% dos ocupados no setor cultural e 38,8% dos ocupados em todos os setores. Por Unidades da Federação, os maiores percentuais de informalidade no setor cultural no ano de 2020 estiveram no Amapá (71,3%), Pará (67,7%) e Maranhão (64,9%), enquanto os menores, em Santa Catarina (24,9%), Rio Grande do Sul (28,4%) e São Paulo (34,9%).

Rendimento cai 6,7% entre 2014 e 2019 no setor cultural

O rendimento médio mensal real do trabalho principal da população de 14 anos ou mais de idade ocupada em atividades culturais foi estimado em R$ 2.564,00 em 2014 e em R$ 2.392,00 em 2019, o que representa uma redução de 6,7%, considerando a inflação. Esses valores estiveram pouco acima dos rendimentos recebidos pela população ocupada no total das atividades produtivas, R$ 2.352,00 em 2014 e R$ 2.285,00 em 2019 (redução de 2,8%).

Em 2020, como reflexo da transição de pessoas em trabalhos informais para a desocupação, o rendimento médio dos que permaneceram ocupados subiu. Os rendimentos tiveram alta de 3,6% (R$ 2.478) no setor cultural e 3,8% (R$ 2.372) em todos os setores em relação a 2019.

A população com mais de um trabalho, ou seja, que tem pelo menos um trabalho principal e um secundário, era de 2,5 milhões de pessoas em 2020. O número de pessoas cujo trabalho secundário estava dentro do setor cultural era de 157 mil pessoas, o que representava 6,2% dos trabalhos secundários, uma proporção maior do que no trabalho principal (5,6%).

88,9% dos usuários assistem filmes e séries pela internet

Em 2019, antes da pandemia, a internet foi acessada por 79,5% da população com 10 anos ou mais do país, ou 143,7 milhões de pessoas. Esse percentual vem crescendo, anualmente, desde o início da série na PNAD Contínua, em 2016, quando 66,1% da população no mesmo grupo etário (ou 116,3 milhões de pessoas) acessaram a rede nos 3 meses anteriores à entrevista.

Em 2019, 88,9% dos usuários da internet no país usaram a rede para assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes. Esse percentual subiu 12,3 p.p. em relação a 2016.

O celular foi o equipamento mais usado para acessar a internet (98,6%), seguido do microcomputador (46,2%), da televisão ou outro equipamento (32,5%) e do tablet (10,9%).

Das 180 milhões de pessoas com 10 anos ou mais no país, em 2019, 81,4% tinham um celular para uso pessoal, aumento de 4,0 pontos percentuais (p.p.) em relação a 2016. Esse percentual foi maior entre as mulheres (82,8%) do que os homens (79,9%). Também foi mais elevado entre brancos (86,3%) do que pretos ou pardos (77,7%).

Além do celular, o uso da televisão ou outro equipamento para acessar a internet aumentou 20,8 p.p. de 2016 a 2019. Por outro lado, os acessos por microcomputador (17,0 p.p.) e por tablet (5,5 p.p.) caíram consideravelmente no período. A TV se torna mais e mais importante nos domicílios, como um equipamento multimídia, com acesso a streaming e outros serviços.

Despesa das famílias com cultura foi de R$ 291,18 ao mês

A despesa média mensal das famílias com cultura, segundo a POF 2017-2018, foi de R$ 291,18, o que corresponde a 7,1% do conjunto das despesas médias de consumo (R$ 4.116,76). A parte monetária correspondia a R$ 270,53 (92,9% da despesa de cultura) e a não monetária (inclui doações, acesso público etc.), R$ 20,65 (7,1%).

Na área urbana a despesa total com cultura foi de R$ 318,59, 9,4% maior que a média do país. Já na área rural foi de R$ 119,58, menos da metade da média nacional (41,1%).

O Sudeste teve a maior despesa média mensal familiar com cultura (R$ 355,24), 22,0% superior à média nacional, seguida do Centro-Oeste (R$ 341,92). No Norte (R$ 186,87) e Nordeste (R$ 187,91) as médias foram inferiores à nacional.

O Nordeste teve uma parcela não monetária significativa, contribuindo com 10,5% para a média mensal familiar no grupo Cultura. A contribuição não monetária foi maior em Sergipe (13%) e Bahia (12%) e a menor em Roraima (2%), Tocantins e Rio de Janeiro (4%, ambos).

Famílias chefiadas por homens tiveram despesa maior com cultura

As famílias cuja pessoa de referência era homem tiveram uma despesa média mensal familiar com cultura de R$ 310,95, enquanto nas famílias chefiadas por mulher, essa despesa foi de R$ 263,71.

Também houve diferença nas famílias cujo responsável era branco (R$ 373,85) e preto ou pardo (R$ 221,14). Entretanto, em termos relativos, esses valores, tanto por sexo ou cor ou raça, correspondiam ambos a cerca de 7% do total das despesas de consumo.

A despesa em cultura foi de R$ 87,32 quando a pessoa de referência era sem instrução e R$ 704,18 quando a pessoa de referência tinha superior completo.

Famílias gastaram mais com telefonia, TV por assinatura e internet

As maiores despesas com cultura foram: serviços de telefonia, TV por assinatura e internet (R$ 172,63), atividade de cultura, lazer e festas (R$ 43,41) e aquisição de eletrodomésticos (R$ 28,76). Entre as despesas não monetárias, os destaques foram para educação profissional e atividades de ensino (16,6%) e instrumentos e atividades musicais (21,8%).

Metrópoles têm maior atração para atividades culturais

São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Belém (PA) e Belo Horizonte (MG) são as metrópoles com a maior atração de moradores de outros municípios para atividades culturais em seu território, de acordo com a pesquisa Regiões de Influência das Cidades (Regic) 2018. Na hierarquia urbana, essas cidades ofertam mais bens e serviços e tendem a produzir mais atividades culturais, estimulando o deslocamento do público da sua região de influência.

Municípios menores têm atração específica para a cultura

Diferente das metrópoles, alguns municípios menores têm atração específica para atividades culturais. Balneário Camboriú (SC), Crato (CE), Parintins (AM), Caruaru (PE) e Caldas Novas (GO), por exemplo, têm nessas atividades a principal ou uma das principais motivações para atrair deslocamento de moradores de outros lugares. A cultura é parte importante do papel desses municípios no conjunto da rede urbana.

5,2% dos municípios têm atratividade cultural maior do que a esperada

Há 291 municípios (5,2% do total) com atratividade para atividades culturais maior do que a esperada, quando se leva em conta o número de ocupados no setor formal da cultura. A grande parte tem uma dinâmica cultural e turística consideravelmente superior à média nacional.

Entre esses municípios, 26% possuem diversidade de eventos/ações culturais, com festivais de cinema, turismo cultural com divulgação realizada pelo município, financiamento a apresentações musicais, feiras de livros, desfile de carnaval, peças de teatro, eventos culturais e festas tradicionais populares, segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic).

No quesito diversidade de eventos/ações culturais, são exemplos de destaque Porto Nacional (TO) e Paraíso do Tocantins (TO) na região Norte; Santana do Ipanema (AL), Limoeiro (PE), Ribeira do Pombal (BA) e Pedro II (PI) no Nordeste; Pará de Minas (MG) e Jaguariúna (SP) no Sudeste, e União da Vitória (PR) e Videira (SC) no Sul.

Cerca de 34% dos municípios mais atrativos apresentam diversidade de grupos artísticos, sendo a maior participação de municípios do Nordeste, como Triunfo (PE), Sousa (PB), São Raimundo Nonato (PI), Lagarto (SE), Pedreiras (MA) e Vitória de Santo Antão (PE), e ainda municípios de outras regiões como Nova Iguaçu (RJ), Joaçaba (SC) e Bragança (PA).

Mais da metade desses municípios equipamentos culturais (57%) como museu, teatro ou sala de espetáculo, centro cultural, cinema, clube e ponto de cultura, segundo a Munic. Os municípios com esse perfil têm hierarquia urbana superior aos anteriores, como Crato (CE) e Tubarão (SC) e municípios que participam de grandes áreas metropolitanas como Itapecerica da Serra (SP), Luziânia (GO) e Pedro Leopoldo (MG). Há expressiva participação de municípios da Região Norte, como Ariquemes (RO), Cruzeiro do Sul (AC), Tabatinga (AM) e Parintins (AM).

Há ainda 60% desses municípios que são destinos turísticos importantes, classificados como “A” e “B” segundo o Ministério do Turismo em 2019. Entre eles, estão Salinópolis (PA), Armação dos Búzios (RJ), Embu das Artes (SP), Garanhuns (PE), Bom Jesus da Lapa (BA), Diamantina (MG), Balsas (MA), Tamandaré (PE), Chapada dos Guimarães (MT), e Lençóis (BA).

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